Talvez você não esteja perdida. Talvez tenha passado tanto tempo tentando ser tudo para todo mundo que simplesmente esqueceu como era ser você.
Eu conheço essa sensação.
Aos 42 anos, olhando para a minha própria história, percebo que precisei me reconstruir mais de uma vez.
Algumas vezes porque a vida não me deu escolha.
Outras porque, finalmente, eu tive coragem de escolher a mim mesma.
E foi assim que comecei a entender uma coisa que ninguém tinha me ensinado:
às vezes, se perder é o começo de voltar para si.
Quando a gente começa a desaparecer dentro da própria vida
A gente não decide, de repente, deixar de ser quem é.
Acontece aos poucos.
Você deixa de fazer uma coisa porque alguém não gosta. Abre mão de outra para evitar uma discussão. Adia um sonho porque existem outras prioridades.
E sempre existe uma justificativa.
“Não vale a pena discutir por isso.”
“Depois eu faço.”
“Ele não gosta.”
“É só uma fase.”
Até que, um dia, você percebe que passou tanto tempo tentando manter tudo funcionando que já não sabe mais o que você quer.
Eu já me senti assim.
Eu precisei me reconstruir mais de uma vez
A primeira vez que a vida me obrigou a recomeçar foi aos 26 anos.
Eu era mãe de uma menina de três anos quando perdi o pai da minha filha de maneira repentina, em um acidente.
Não houve tempo para me preparar.
Eu precisava cuidar da minha filha, terminar a faculdade e encontrar uma maneira de seguir em frente.
Então eu fiz o que muitas mulheres fazem quando a vida não permite que elas parem:
continuei.
Hoje, quando penso naquela mulher de 26 anos, sinto vontade de abraçá-la.
Ela provavelmente não fazia ideia da força que estava construindo enquanto simplesmente tentava sobreviver.
Anos depois, precisei me reconstruir novamente.
Mas dessa vez foi diferente.
Dessa vez, eu escolhi ir embora.

Quando escolher a si mesma dói
Eu estava em um relacionamento de cinco anos.
E, aos poucos, comecei a perceber que estava me afastando de quem eu era.
Eu me policiava.
Pensava demais antes de falar, sair ou fazer determinadas coisas.
Minha autoestima foi sendo afetada.
Fui perdendo a vontade de sair, de fazer coisas que gostava, de viver como antes.
Até que um dia percebi algo que me assustou:
eu estava começando a perder o gosto de viver.
Foi quando entendi que não podia continuar daquela maneira.
Aos 38 anos, saí.
E quero ser honesta: saber que uma decisão é certa não faz com que ela deixe de ser dolorosa.
Eu tive dúvidas.
Tive saudade.
Tive vontade de voltar atrás.
Mas, olhando para trás hoje, sei que foi uma das maiores demonstrações de amor próprio que já tive.
Amor próprio não é se sentir maravilhosa todos os dias
Durante muito tempo, achei que amor próprio fosse uma sensação.
Como se um dia eu acordasse completamente segura, bonita, confiante e feliz comigo mesma.
Hoje penso diferente.
Amor próprio é, muitas vezes, uma decisão.
É perceber que alguma coisa não está mais fazendo bem e ter coragem de dizer:
“Isso não serve mais para mim.”
É estabelecer limites.
É parar de implorar por aquilo que deveria ser oferecido naturalmente.
É cuidar do seu corpo sem odiá-lo.
É voltar a fazer aquilo que você amava.
É aprender a ficar sozinha sem acreditar que está condenada à solidão.
É entender que envelhecer não diminui o seu valor.
E é escolher a si mesma mesmo quando essa escolha assusta.
E se eu estiver velha demais para recomeçar?
Essa pergunta aparece muito quando falamos sobre mulheres depois dos 40.
Talvez você esteja pensando:
“Eu já perdi tempo demais.”
Eu entendo.
Mas hoje acredito que você não precisa voltar aos 20.
Você não precisa recuperar a mulher que era.
Você pode descobrir quem é agora.
Aos 40, 50, 60…
Você já carrega experiências que a sua versão mais jovem ainda não tinha.
Você sabe algumas coisas que quer.
E sabe, principalmente, o que não quer mais.
Isso também é uma forma de liberdade.
Você não está começando do zero. Está começando com tudo o que aprendeu.

Talvez você não precise encontrar uma nova versão de si mesma
Talvez precise apenas retirar algumas camadas.
A necessidade de agradar.
O medo de decepcionar.
A culpa.
As expectativas dos outros.
Os papéis que você assumiu durante tantos anos.
Até conseguir ouvir novamente aquela voz que talvez tenha ficado silenciosa:
“Eu ainda estou aqui.”
Foi assim que comecei a olhar para a minha própria vida.
Eu ainda tenho inseguranças.
Ainda tenho dúvidas.
Ainda estou reconstruindo algumas áreas da minha vida.
Mas hoje eu sei que reconstrução não significa ter todas as respostas.
Significa continuar procurando.
Para a mulher que está tentando se reencontrar
Se você chegou até aqui porque está vivendo um término…
Porque sente que perdeu sua identidade dentro de um relacionamento…
Está sozinha e não sabe o que fazer com esse silêncio…
Tem mais de 40 e está se perguntando se ainda pode começar novamente…
Eu quero te dizer uma coisa:
você não está atrasada.
Você não precisa ter todas as respostas.
Talvez o primeiro passo seja simplesmente admitir:
“Eu quero voltar para mim.”
E isso já é um começo.
Eu também estou aprendendo
Eu não criei o Amado Amor porque descobri a fórmula para uma vida perfeita.
Não descobri.
Tenho histórias bonitas, histórias dolorosas, escolhas das quais me orgulho e outras que faria diferente.
Mas todas elas me trouxeram até aqui.
E talvez, enquanto eu conto a minha história, você reconheça um pedaço da sua.
É por isso que quero que este espaço seja uma conversa.
Sobre amor próprio, autoestima feminina, relacionamentos, solidão, desejo, recomeços, envelhecimento, carreira e sobre a vida da mulher depois dos 40.
Sem fingir que está tudo bem o tempo inteiro.
Sem frases motivacionais vazias.
Sem a obrigação de ser uma mulher perfeita.
Apenas mulheres tentando voltar para si mesmas.
Talvez seja hora de se escolher
Eu passei boa parte da minha vida aprendendo a cuidar de outras pessoas.
A ser forte.
A continuar.
A resolver.
Mas existe uma coisa que ainda estou aprendendo:
eu também mereço ser cuidada por mim.
E talvez você precise aprender isso também.
Não para deixar de amar outras pessoas.
Mas para finalmente entender que você também precisa estar incluída na lista de pessoas que ama.
Talvez o maior amor que esteja esperando por você não seja aquele que vem de outra pessoa.
Talvez seja o amor que você ainda está aprendendo a oferecer a si mesma. Com amor,
Valentina Amado 🌻


