Amor próprio ou egoísmo? Entenda a diferença

Você já deixou de fazer alguma coisa que queria porque pensou:

“Vão achar que estou sendo egoísta.”

Talvez tenha sido dizer não para alguém.

Recusar um favor.

Escolher descansar em vez de resolver o problema de outra pessoa.

Terminar um relacionamento.

Viajar sozinha.

Gastar dinheiro com você.

Ou simplesmente colocar uma vontade sua na frente da vontade de alguém.

E então aquela voz aparece:

“Mas será que eu não estou pensando só em mim?”

Essa pergunta pode ser muito saudável.

Afinal, ninguém quer se transformar em uma pessoa que só enxerga as próprias necessidades.

Mas existe uma confusão que pode fazer uma mulher passar anos se colocando em último lugar:

acreditar que cuidar de si é egoísmo.

E não é.

Afinal, qual é a diferença entre amor próprio e egoísmo?

Vamos simplificar.

Egoísmo é colocar os próprios interesses acima dos outros sem considerar como suas atitudes afetam as pessoas.

Amor próprio é reconhecer que suas necessidades, sentimentos, limites e desejos também importam.

Percebe a diferença?

Uma pessoa egoísta pensa:

“Eu quero, então todo mundo que se vire.”

Uma pessoa que está desenvolvendo amor próprio pensa:

“Eu me importo com você, mas também preciso me importar comigo.”

Isso muda completamente a conversa.

Porque se escolher não significa deixar de enxergar os outros.

Significa finalmente incluir você mesma entre as pessoas que merecem consideração.

Você pode amar alguém e ainda se escolher

Essa talvez seja uma das coisas mais difíceis de aceitar.

Nós fomos acostumadas a pensar que amar significa ceder.

E, às vezes, significa mesmo.

Relacionamentos exigem negociação.

Você abre mão de alguma coisa aqui.

A outra pessoa abre mão de outra ali.

Isso é normal.

O problema aparece quando apenas uma pessoa está sempre cedendo.

Quando você é sempre aquela que entende.

Sempre aquela que espera.

Sempre aquela que muda os planos.

Sempre aquela que engole alguma coisa para evitar conflito.

Sempre aquela que pensa:

“Tudo bem. Não tem problema.”

Até que um dia você percebe que existe uma quantidade enorme de coisas que você diz que não têm problema…

mas que, na verdade, têm.

E muito.

Se escolher não significa fazer tudo o que você quer

Esse é outro ponto importante.

Amor próprio não é:

“Agora eu vou fazer tudo que tenho vontade e ninguém tem nada a ver com isso.”

Não.

😂

Até porque, se fosse assim, eu provavelmente estaria comendo pizza no café da manhã, almoço e jantar.

E isso seria uma péssima estratégia nutricional.

[riso]

Se escolher também significa ter responsabilidade.

Significa pensar nas consequências das suas decisões.

Significa respeitar outras pessoas.

Significa reconhecer quando você erra.

Significa saber pedir desculpas.

Significa entender que você tem liberdade, mas as outras pessoas também têm.

Amor próprio não elimina responsabilidade.

Ele elimina a necessidade de se abandonar para agradar.

“Mas e se alguém ficar magoado?”

Essa é uma das maiores armadilhas.

Porque você pode tomar uma decisão correta para a sua vida e, ainda assim, alguém ficar triste.

E isso pode fazer você pensar:

“Então talvez eu esteja errada.”

Não necessariamente.

A tristeza de alguém não é automaticamente uma prova de que você fez alguma coisa errada.

Imagine que você decida não aceitar um convite porque precisa descansar.

A pessoa pode ficar decepcionada.

Você pode compreender a decepção dela.

Pode até sentir muito por isso.

Mas isso não significa que deveria ter dito sim.

Você pode reconhecer o sentimento do outro sem assumir responsabilidade por eliminá-lo.

Essa é uma habilidade emocional difícil.

Mas libertadora.

E quando você precisa colocar limites?

Limite é uma das palavras que mais aparecem quando falamos de amor próprio.

Mas limite não é uma punição.

Não é uma ameaça.

Não é:

“Se você fizer isso novamente, acabou!”

Limite é, antes de tudo, uma informação sobre aquilo que você aceita ou não aceita na sua vida.

Por exemplo:

“Eu não aceito ser tratada dessa maneira.”

“Hoje eu não estou disponível.”

“Não quero participar disso.”

“Prefiro não falar sobre esse assunto.”

“Isso não funciona para mim.”

Você não precisa transformar cada limite em uma discussão de três horas.

Às vezes, uma frase basta.

Por que colocar você mesma em primeiro lugar parece tão errado?

Talvez porque muitas mulheres aprenderam a funcionar assim:

  1. filhos;
  2. parceiro;
  3. família;
  4. trabalho;
  5. amigos;
  6. todo mundo;
  7. você.

E, quando sobra tempo, energia ou dinheiro…

aí você aparece.

Só que existe um problema:

às vezes não sobra nada.

E então você fica cansada, irritada, frustrada e sem entender por que está tão infeliz.

Talvez não seja porque você não ame as pessoas da sua vida.

Talvez seja porque você passou tempo demais tentando cuidar de todo mundo sem incluir a si mesma nessa tarefa.

Amor próprio não é deixar de precisar dos outros

Eu quero deixar isso muito claro.

O Amado Amor nunca vai defender aquela ideia de:

“Você não precisa de ninguém.”

Precisamos de pessoas.

Precisamos de amizade.

Precisamos de afeto.

Precisamos de companhia.

Precisamos de amor.

Precisamos conversar, rir, abraçar, beijar, fazer planos e dividir a vida.

A questão não é viver sem ninguém.

É não acreditar que precisa desaparecer para conseguir que alguém fique.

Você pode querer um relacionamento sem precisar de um relacionamento para saber que tem valor.

Pode querer companhia sem acreditar que estar sozinha significa fracasso.

Pode desejar alguém e ainda assim saber que consegue ficar bem sem essa pessoa.

Isso, para mim, é uma forma muito bonita de liberdade.

Uma pergunta que pode mudar a maneira como você toma decisões

Na próxima vez que você sentir culpa por escolher alguma coisa para você, tente perguntar:

“Estou sendo egoísta ou estou apenas fazendo algo que alguém não gostou?”

Porque essas duas coisas não são iguais.

Se você está prejudicando deliberadamente alguém para conseguir o que quer, talvez seja hora de rever sua atitude.

Mas se você simplesmente está cuidando de uma necessidade sua, estabelecendo um limite ou fazendo uma escolha que outra pessoa não gostaria…

talvez você não esteja sendo egoísta.

Talvez esteja apenas aprendendo a se respeitar.

E se você estiver acostumada a se colocar sempre em último lugar?

Então é possível que o amor próprio pareça estranho no começo.

Você vai sentir culpa.

Vai querer voltar atrás.

Vai explicar demais.

Vai perguntar:

“Será que eu fiz certo?”

“Será que exagerei?”

“Será que vão pensar mal de mim?”

Tenha paciência.

Você está aprendendo uma coisa nova.

E talvez precise lembrar:

Sentir culpa não significa necessariamente que você fez algo errado.

Às vezes, significa apenas que você fez alguma coisa que não estava acostumada a fazer.

Você também merece estar na sua própria lista

Talvez essa seja a parte que eu mais gostaria que você levasse deste texto.

Você pode cuidar da sua família.

Pode amar seus filhos.

Pode estar presente para seus amigos.

Pode fazer sacrifícios por quem ama.

Pode ser generosa.

Pode ser aquela pessoa que todo mundo procura quando precisa de ajuda.

Mas, por favor…

não se transforme na pessoa que todo mundo pode contar, menos você.

Você também precisa poder contar consigo mesma.

Quando estiver cansada.

Quando estiver triste.

Quando precisar dizer não.

Quando precisar recomeçar.

Quando ninguém entender sua decisão.

Quando a vida mudar de direção.

No final, talvez a pergunta não seja “eu ou os outros?”

Talvez essa seja a grande confusão.

Como se existissem apenas duas opções:

ou eu me escolho, ou eu amo as pessoas.

Não.

Você pode fazer as duas coisas.

Pode amar sem se abandonar.

Pode ajudar sem se sacrificar o tempo inteiro.

Pode ceder sem desaparecer.

Pode dizer não sem deixar de ser uma boa pessoa.

Pode querer mais para a sua vida sem precisar sentir vergonha disso.

E pode olhar para si mesma e dizer:

“Eu também importo.”

Sem culpa.

Sem pedir desculpas.

Sem precisar da autorização de ninguém.

Porque amor próprio não é acreditar que você é mais importante do que todo mundo.

É finalmente entender que você não é menos importante do que todo mundo.

[pause]

E talvez seja justamente aí que comece uma relação muito diferente com você mesma.

Uma relação em que você não precise mais se abandonar para provar que ama alguém.

🌻

Uma conversa para você levar daqui

Hoje, antes de dormir, pense em uma situação em que você chamou de “egoísmo” alguma coisa que, talvez, fosse apenas cuidado com você mesma.

E pergunte:

“Eu realmente estava sendo egoísta… ou simplesmente estava me escolhendo?”

Talvez a resposta surpreenda você.

E talvez seja o começo de uma mudança.

Quer compartilhar a sua história?

Se quiser contar uma experiência, deixar uma reflexão ou compartilhar o que esse texto despertou em você, fique à vontade.

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