Você já disse “não” para alguém…
e cinco minutos depois estava se perguntando se tinha sido uma pessoa horrível?
Talvez tenha recusado um convite.
Negado um favor.
Cancelado alguma coisa.
Colocado um limite.
Ou simplesmente dito:
“Hoje eu não posso.”
E, mesmo sem ter feito absolutamente nada de errado, veio aquela sensação incômoda:
“Será que eu deveria ter dito sim?”
Se você conhece essa sensação, senta aqui comigo.
Porque eu conheço.
E acho que muitas mulheres passaram tanto tempo tentando ser boas, disponíveis,
compreensivas e agradáveis que acabaram aprendendo uma coisa muito perigosa:
a confundir ser uma boa pessoa com estar sempre disponível para os outros.
E não é a mesma coisa.
Quando foi que “não” virou uma palavra tão difícil?
Pense em uma criança pequena.
Ela não costuma ter grandes dificuldades para dizer não.
“Quer comer?”
Não.
“Quer ir embora?”
Não.
“Quer guardar os brinquedos?”
Definitivamente não. 😂
Em algum momento, porém, aprendemos que o nosso “não” pode provocar consequências.
Alguém fica triste.
Alguém se irrita.
Alguém se decepciona.
Alguém pensa que somos egoístas.
E então começamos a negociar com nós mesmas.
“Talvez eu possa.”
“Vou só dessa vez.”
“Depois eu compenso.”
“Não quero, mas tudo bem.”
Até que o “não” começa a sair acompanhado de uma explicação de quinze minutos.
E, às vezes, nem precisava.
Você não precisava apresentar uma defesa no Supremo Tribunal Federal para justificar que
não queria sair naquele sábado. 😂
Você simplesmente não queria.
E isso também pode ser suficiente.
Dizer não não significa que você é egoísta
Essa talvez seja uma das maiores confusões que fazemos.
Existe uma diferença entre egoísmo e autocuidado.
Uma pessoa egoísta ignora deliberadamente as necessidades dos outros para satisfazer
apenas as próprias.
Uma pessoa que estabelece limites está dizendo:
“As necessidades dos outros importam, mas as minhas também.”
Isso muda tudo.
Você pode amar seus filhos e precisar de algumas horas sozinha.
Pode amar seu parceiro e não querer acompanhá-lo em determinado programa.
Pode gostar de uma amiga e não estar disponível para ouvi-la naquele dia.
Pode ajudar sua família e, ainda assim, dizer:
“Dessa vez eu não consigo.”
Isso não transforma você em uma pessoa ruim.
Transforma você em uma pessoa que reconhece que também possui limites.
Por que sentimos tanta culpa?
Existem muitas razões.
Algumas mulheres cresceram acreditando que precisavam agradar.
Outras aprenderam desde cedo a cuidar de todo mundo.
Algumas tiveram experiências em que estabelecer limites provocava conflitos.
E existem aquelas que simplesmente se acostumaram a ocupar o último lugar da própria
lista.
O problema é que, quando você passa muito tempo dizendo sim, o seu primeiro não pode
parecer quase uma traição.
Você pensa:
“Mas eu sempre fiz isso.”
Exatamente.
Você sempre fez.
Mas talvez tenha chegado o momento de perguntar se continuar fazendo ainda faz bem
para você.
O medo de decepcionar os outros
Acho que existe uma pergunta escondida por trás de muitos “sins”:
“E se essa pessoa deixar de gostar de mim?”
E essa é uma pergunta dolorosa.
Porque, no fundo, talvez você esteja tentando comprar aceitação com disponibilidade.
“Se eu ajudar, vão gostar de mim.”
“Se eu estiver sempre presente, vão precisar de mim.”
“Se eu nunca reclamar, ninguém vai embora.”
Mas existe um problema nisso.
Você pode passar tanto tempo tentando garantir que ninguém vá embora…
que acaba sendo você quem vai embora de si mesma.
E essa conta é muito cara.
Você não precisa justificar todos os seus limites
Uma das coisas que podem ajudar é aprender a diminuir as explicações.
Em vez de:
“Eu queria muito, mas essa semana está complicada porque aconteceu isso,
isso e isso…”
Você pode simplesmente dizer:
“Não vou conseguir dessa vez.”
Ou:
“Hoje não posso.”
Ou:
“Prefiro não fazer isso.”
E parar.
Silêncio.
Fim.
No começo pode parecer estranho.
Você talvez até sinta vontade de continuar falando.
Não faça isso.
😂
Respira.
Deixa o silêncio existir.
Você não precisa preencher cada segundo com uma justificativa para provar que tem uma
boa razão.
Mas e quando a pessoa ficar chateada?
Aqui está uma das partes mais difíceis.
Ela pode ficar.
E você precisa aprender a suportar essa possibilidade.
Porque estabelecer limites não significa controlar a reação dos outros.
Alguém pode não gostar do seu “não”.
Pode ficar decepcionado.
Pode achar que você mudou.
Pode dizer:
“Nossa, você nunca foi assim.”
Talvez você tenha vontade de responder:
“Pois é. Finalmente.”
😂
Mas nem sempre precisa.
Você pode simplesmente manter o limite.
Porque o desconforto de outra pessoa não significa automaticamente que você fez alguma
coisa errada.
E se você realmente estiver errada?
Essa também é uma possibilidade.
Amor próprio não significa acreditar que você está certa o tempo inteiro.
Às vezes você pode dizer não de uma maneira desnecessariamente rude.
Pode magoar alguém.
Pode perceber depois que exagerou.
E, nesse caso, você pode pedir desculpas.
Isso não destrói o seu limite.
Na verdade, mostra maturidade.
O objetivo não é transformar o “não” em uma arma.
É transformar o “não” em uma ferramenta de honestidade.
Comece com pequenos “nãos”
Se você tem muita dificuldade para estabelecer limites, talvez não precise começar pela
situação mais difícil da sua vida.
Comece pequeno.
Não quer atender uma ligação?
“Agora não posso falar.”
Não quer sair?
“Hoje vou ficar em casa.”
Não quer fazer determinada coisa?
“Prefiro não.”
Precisa descansar?
“Hoje eu preciso de um tempo para mim.”
Você vai perceber uma coisa interessante:
o mundo não acaba.
😂
Ninguém aciona a Defesa Civil.
A Terra continua girando.
E, aos poucos, você começa a perceber que dizer não não é uma catástrofe.
O que você perde quando nunca diz não?

Essa talvez seja a pergunta mais importante deste artigo.
Porque geralmente pensamos:
“O que vai acontecer se eu disser não?”
Mas tente inverter.
Pergunte:
“O que está acontecendo comigo porque eu nunca digo não?”
Você está cansada?
Irritada?
Sobrecarregada?
Sem tempo?
Sem energia?
Sem vontade?
Sentindo que todo mundo precisa de você, mas ninguém percebe quando você precisa de
alguém?
Talvez o problema não seja que você está dizendo “não” demais.
Talvez seja que você está dizendo “sim” demais para os outros e “não” demais para
você.
O seu “não” também protege o seu “sim”
Eu gosto muito de pensar dessa maneira.
Quando você diz “sim” para tudo, seus “sins” começam a perder valor.
Você aceita porque não quer decepcionar.
Vai porque acha que precisa.
Ajuda porque sente culpa.
E, por dentro, começa a pensar:
“Eu não queria estar fazendo isso.”
Um “sim” que nasce do medo não é exatamente um “sim” livre.
Por outro lado, quando você aprende a dizer não quando realmente não quer ou não
pode…
seu “sim” ganha outro significado.
Porque, quando você diz:
“Sim, eu quero.”
A outra pessoa sabe que você realmente quer.
E, principalmente, você sabe.
Talvez você não precise ser mais boazinha

Talvez precise ser mais honesta.
Essa é uma coisa que eu gostaria de ter entendido muito antes.
Eu não preciso ser uma mulher que está sempre disponível para provar que tem um bom
coração.
Posso ser generosa e ter limites.
Posso amar e dizer não.
Posso ajudar e também precisar de ajuda.
Posso ser gentil sem ser conveniente.
E posso me importar com as pessoas sem colocar a minha vida inteira nas mãos das
necessidades delas.
Porque, no final das contas, existe uma pessoa que vai acompanhar você durante toda a
sua vida.
Você.
E talvez esteja na hora de começar a tratar essa pessoa com um pouco mais de
consideração.
Uma pergunta antes de você ir
Pense em uma situação em que você disse “sim” recentemente…
mas queria ter dito “não”.
Agora se pergunte:
Por que eu disse sim?
Foi amor?
Foi vontade?
Foi generosidade?
Ou foi medo?
Medo de decepcionar.
Medo de ser rejeitada.
Medo de parecer egoísta.
Medo de perder alguém.
A resposta talvez seja desconfortável.
Mas não precisa ser motivo para se culpar.
Pode ser apenas o começo de uma mudança.
Porque talvez aprender a dizer não não seja aprender a ser uma mulher mais dura.
Talvez seja aprender a ser uma mulher mais honesta consigo mesma.
E, se você está começando a fazer isso agora…
tenha paciência.
No início, seu “não” provavelmente vai tremer.
Mas tudo bem.
Diga mesmo assim.
Porque, às vezes, escolher a si mesma começa com uma palavra de apenas três letras:
NÃO.
🌻
Uma conversa para levar com você
Qual “não” você está com medo de dizer hoje?
Não precisa contar para ninguém.
Mas talvez você precise contar para você mesma.


